quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Destino

É inevitável
É incontrolável
É inexorável
Sou seu.

É incrível
É inesquecível
É incompreensível
O que sinto por você.

É inegável
Que meu amor é seu
E inexplicável
Que assim seja.

É indivisível
O que somos
E impossível
Que não sejamos.

É inimaginável
Se seremos
E indesculpável
Se não formos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Só o amor destrói

Um muro de indiferença separa diferenças
Construído com tijolos bem distintos
Empilham-se aos pedaços
Dor, ciúme, competição
Raiva, inveja, compaixão
Ódio, mágoa, decepção
Rancor, tristeza, solidão.

Muro torto e desconexo
Em parte côncavo em outra convexo
Em total desalinho parece fortaleza
Alija os diferentes em sua imortal fraqueza.

A massa que os reúne não comporta sedução
Não contém qualquer semente de qualquer admiração
Expõe defeitos esquecidos outrora adormecidos
Esconde o que ainda de bom habita o coração.

Não há emboço nem pintura
Nesse muro torpe ignóbil criatura
Não há fenda nem desvão
Ou outra forma de comunicação.

Devaneios tontos debilitam a implosão
Quimeras fúteis a abalar a explosão
A vontade de um não começa a demolição.

O muro só vai ao chão
Pelo ataque em comunhão.

Só o amor destrói.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dissabores

Qual seria o gosto do desgosto?
Ácido ou amargo?
Certamente não doce nem salgado.

Como se medem essas coisas?
Em metros? Cúbicos ou quadrados?
Ou em mililitros de lágrimas debandadas?

Qual então seria o gosto da lágrima?
Uns me diriam: claro que é salgada.
Outros afirmariam: tem o gosto da emoção.

Eu diria que sim e que não
Já que também tem o gosto do desgosto.

Questão de opinião

Pior que a traição é o descaso
Ocaso de uma paixão.
Melhor que estar comodamente acompanhado
É viver a absoluta solidão.

À anestesia de uma ilusão
A dor do desamor.
À loucura da fantasia perversa
O amor de nós dois.

Aos desejos em combustão
A conversa sonolenta.
À cama sem vazão
O beijo de boa noite.

Talvez devesse o poeta melhor explicar sua opção
Afinal, é mera questão de opinião
O que nos traz cada ocasião.

Da traição, um novo encontro.
Da absoluta solidão, um recomeço promissor.
Do amor de nós dois, Luiza e Mariana.
Do beijo de boa noite, um novo dia.

Mas, de tudo, o que não se discute
O melhor é amar e ser amado.

domingo, 21 de novembro de 2010

A nova chance

Bem-vindo ao novo clube
Esqueça as dores e também os amores
Esqueça os horrores e também as flores
Elimine os odores e clareie as cores

Bem-vindo ao novo clube
Não traga lembranças ou mesmo desejos
Apague esperanças e todos os beijos
Não há mais bonança nem bobo gracejo

Bem-vindo ao novo clube
Onde tudo parece novo
Em que nada parece tolo
E opostos se encontram

Seja bem-vindo à sua nova vida
Em que dores e amores se reconciliarão
Flores e horrores ao lado estarão
Odores e cores juntos caminharão

Seja bem-vindo à sua nova vida
Lembre novas lembranças
Deseje outros desejos
Beije mais beijos

Seja bem-vindo à sua nova vida
Antes que ela se torne a antiga
Enquanto o ciclo se repete
Antes que se complete

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Carnaval

Bate o sino
Turva a vista
Explode o coração

Beija a boca
Aperta a bunda
Morde a orelha

Corre pra lá
Volta pra cá
Finge que dança

Arrebenta o cordão
Para o salão

Melhor ir lá fora
Pra uma nova rodada

Meninas

Dorme Maria
Acorda Joana
Ama Valéria
Odeia Adriana

Abraça Luiza
Solta Mariana
Corre Mariza
Para Eliana

Dança Patricia
Vaga Juliana
Voa Leticia
Aterrissa Silvana

Encaixa Cecilia
Larga Giovana
Goza Alicelia
Relaxa Tatiana

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mentiras

Vaga no vento a verdade vilipendiada
Viaja no vulto a visão visceral
Voa no verde o verme verdugo

Vislumbro variadas versões de verdades vicárias
Vicejam vozes verborrágicas
Violam ventres vergastados

Vil vermute vermelho
Vespa vingativa venal
Vence a verdade venerada
Vincada no verniz volúvel

Veneno viscoso
Veleja verdejante
Veleidade da vida
Verdades vulgarizadas

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cansaço

Se eu fechar os olhos agora
Será que vou divagar
Inúteis pensamentos forjados pra atormentar?

Se eu fechar os olhos agora
Será que vou morrer
Ou vai doer a ausência do seu ser presente em mim?

Se eu fechar os olhos agora
Será que vou sorrir
Ou sentir alguma alegria na ilusão conformadora?

Se eu fechar os olhos agora
Não quero sonhar
Nem quero chover
Apenas dormir